Aos 48 anos, estes sãos os conselhos mais importantes que posso lhe dar

Aos 48 anos, estes sãos os conselhos mais importantes que posso lhe dar

Tempo de leitura: 10 minutos

Se você me permite, gostaria de lhe dar dois conselhos profundos e sinceros. Sei que sou insignificante para lhe dirigir alguma mensagem. Quem sou eu diante dos grandes santos que muito já escreveram e já disseram para o nosso bem? Não sou nada. Ínfimo. Qual é o meu alcance? Muito pequeno. Mas, mesmo diante de minhas contradições e pequenez, gostaria de lhe dar dois conselhos que podem mudar toda a trajetória da sua vida. 

Não sou um ancião sábio que está na idade de, numa conversa, numa cadeira ou sofá, acolher as pessoas. Tenho apenas 48 anos. Não sou mais jovem nem tão velho. Mas a questão aqui não são meus anos de vida. Quero poder contribuir com a sua vida a partir de toda a experiência que tive com o Senhor nesses 25 anos ininterruptos, caminhando rumo a Jesus, aos trancos e barrancos, com acertos e erros. Quero ser útil a você, útil à sua vida, com base, como lhe disse, em toda a experiência que tive com o Senhor. Quero lhe dar um conselho definitivo.

Quero te apontar dois caminhos para que você seja feliz, para que você tenha êxito. Não digo êxito no sentido financeiro. Não quero lhe aconselhar algo para que você tenha uma fortuna. Não se trata disso. Quero que você tenha êxito na vida espiritual, que, com certeza, vai refletir em todas as áreas da sua vida. 

Até entender o que eu entendo hoje, eu queria como que “dominar” e “controlar” as coisas e o tempo. Queria que saísse do meu jeito. Queria que Deus agisse naquela hora, naquele momento, e atendesse à minha necessidade mais urgente.

Não é assim que fazemos? Quando estamos passando por uma situação muito difícil, gritamos logo: “Socorro, Deus!”, e queremos, como num passe de mágica, que a nossa oração seja atendida instantaneamente. 

Vou te contar uma situação pela qual passei. Eu era professor de um centro universitário e, naquele momento, o departamento do qual eu fazia parte estava demitindo alguns professores. Eu pensei: isso não pode acontecer comigo. Como o centro educacional era confessional, nele tinha a capela do Santíssimo, e corri para lá. Rezei, pedindo a Deus que não me deixasse ser demitido. Não teve jeito. Fui demitido dias depois.

Não que Deus não tivesse o poder de impedir, mas a pergunta era: qual era o plano de Deus na minha vida? Se Deus permitiu, o que ele queria me mostrar? E vale o que diz Santo Agostinho: somente Deus pode extrair um bem de um mal. Mas, nesse momento, eu não pensei dessa forma. Não me revoltei, é claro, mas ainda estava imaturo para pensar da forma correta. 

Outra situação: ao sair desse centro universitário, fui morar sozinho. Estava desempregado e necessitando de um emprego. Estava aguardando a resposta de um processo seletivo e me lembro até hoje: deitei no chão da minha casa e fiz um grande clamor: “Senhor, por favor, me dê esse emprego. Eu necessito muito”. A cena foi um tanto engraçada, pois deitei no chão e quis que o Céu me visitasse naquele momento, naquela hora, naquele instante. Resultado: não passei no processo seletivo. 

Deus poderia me dar o emprego, uma vez que eu estava necessitando? Poderia. Mas a questão não é essa. A pergunta correta é: Deus queria esse emprego para mim? Esse emprego estava nos planos de Deus para a minha vida? O que Deus queria de mim com essa reprovação no processo seletivo? 

Uma outra situação: dezesseis anos depois desses dois fatos, em vez de ter crescido na intimidade com Deus nesse aspecto, eu me comportei da mesma maneira. Eu senti que iria ser demitido de um trabalho. Fui ao banheiro, me ajoelhei e clamei profundamente a Deus para não deixar que eu fosse demitido. Clamei também a São José e aos anjos celestes para me ajudarem e não permitirem. Não teve jeito. Fui demitido. Deus poderia ter impedido? Sim, poderia. Mas eu tenho a resposta. Deus estava me dando um livramento. De fato, Deus não me queria lá.

E passei por muitas outras situações em que quis porque quis que o poder de Deus agisse naquele momento na minha vida, de forma instantânea, e que me preservasse daquele sofrimento, sobretudo do desemprego e, como consequência, da falta de dinheiro. É justo, correto e legítimo que clamemos aos Céus para que Deus venha em socorro às nossas necessidades? Sim, claro que é. 

A Palavra de Deus nos ensina: “Pedi e vos será dado! Procurai e encontrareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede recebe, quem procura encontra e, a quem bate, a porta será aberta” (Mt 7,7-8).

Devemos, sim, pedir e clamar a Deus para tudo, pois tudo depende de Deus. Como diz uma outra passagem: “Orai continuamente” (1Ts 5,17). 

Gosto muito de um pensamento de Santo Inácio de Loyola que faz parte da minha vida, em que o santo diz: “Aja como se tudo dependesse de você, sabendo bem que, na realidade, tudo depende de Deus”. Ou seja, faça a sua parte, ore, estude, trabalhe, se esforce, se mova, lute, enfrente, seja determinado, destemido, abnegado e deixe Deus fazer a parte dele. Faça tudo o que lhe compete, mas saiba que a Deus pertence a última palavra.

Há uma outra passagem que diz: “Não sabemos o que pedir nem como pedir” (Rm 8,26). 

Ora, uma palavra diz que, a todo aquele que pede, a porta lhe será aberta, e outra passagem bíblica diz que não sabemos pedir nem o que pedir. Com qual passagem eu devo ficar? Ora, com as duas. A Bíblia nunca se contradiz. Devemos pedir, sim, sempre. Devemos elevar súplicas a Deus, sempre, para sermos atendidos, como nos ensina a passagem de Mateus 7. Mas devemos saber pedir. Devemos pedir segundo a vontade de Deus, como nos ensina a primeira carta de S. Paulo aos Tessalonicenses.

A nossa vida é assim. É esse movimento. Pedir, pedir, pedir, mas pedir como convém. E como iremos pedir como convém e de forma certa, segundo a vontade de Deus? Somente no Espírito, como diz a Palavra: “O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza” (1Ts 8,26). 

Eu levei muitos “nãos” de Deus, muitos. 

Hoje, vejo que era Deus dizendo: “Não é por esse caminho, é por esse”. Se não fosse Deus com esses “nãos”, eu teria problemas que eu nem poderia imaginar. Esses “nãos” de Deus, na verdade, eram seus “sins” para uma outra coisa e propósito na minha vida. 

Aí, você pergunta: “Você está dizendo que Deus intervém na nossa vida, nos mostra caminhos, nos diz sim ou não, ou seja, intervém na nossa vida de maneira direta, que pode mudar os rumos das nossas vidas?”. Sim. Exatamente isso. Deus não é um observador indiferente às nossas vidas. Como Jesus nos ensinou, Deus é Pai e, como pai, diz sim, de forma prática e presente, ao que é bom e ao que não é bom para as nossas vidas. Mas, se você disser: “Eu não escuto a Deus?”, então está lhe faltando fé e intimidade com o Altíssimo. Deus fala conosco por meio da Sua Palavra, nos Sacramentos, na vida, por meio de outras pessoas, em sonho, enfim, da forma que Ele quer.

Mas Deus também fala de forma direta a nós na oração. Deus fala ao nosso coração quando esse coração está desapegado de si mesmo e das coisas do mundo. 

O que Deus mais abomina é quando colocamos algo à sua frente, quando colocamos qualquer coisa na nossa vida, orgulho, prepotência, autossuficiência, esposo, esposa, filhos, trabalho, dinheiro, prazeres etc., à sua frente. Deus abomina que adoremos outros deuses, seja, como disse, fama, dinheiro, prazeres, status, poder, vanglória etc. Deus foi muito claro ao dizer: “Não deverás adorar nenhum outro Deus, pois o Senhor se chama ciumento: ele é um Deus ciumento” (Ex 34,34).

Deus é um Deus ciumento e não aceita que coloquemos absolutamente nada à sua frente. O primeiro mandamento da Lei de Deus diz: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6,5).  

Devemos amar a Deus sobre todas as coisas.  Esse é o primeiro mandamento e o mais importante. E Deus pediu mais: não um amor qualquer, mas amá-Lo com “toda a alma” e “com todas as forças”. 

Hoje, com 48 anos de vida e olhando para trás, com tudo o que errei, com tudo o que acertei, sinto em meu coração que Deus só estava fazendo com que fosse um cristão autêntico e que vivesse plenamente o mandamento de Deuteronômio 6,5: que eu pudesse amá-Lo  sobre todas as coisas. Esse é o primeiro conselho, direcionamento, palavra de sabedoria, chame como quiser, que gostaria de deixar para você, para que você tenha êxito na vida. O segundo direcionamento, com o qual encerro esse texto, é a passagem: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33). 

Hoje, eu percebo claramente que era como se Deus estivesse me dizendo: “Seu cabeça-dura, tome jeito, menino, procure primeiro o meu Reino, que tudo o mais lhe será dado em acréscimo”. 

Eu digo isso para você do fundo do meu coração. Tenha como primeira meta na sua vida a Deus, o Reino de Deus. Não mire na sua profissão, em ter bens, em sucesso, em dinheiro, em fortuna, em status, em sua faculdade, não mire em seus projetos, não mire em pessoas, não mire até mesmo em sua família. Busque primeiro a Deus; em seguida, você pode conquistar o mundo. 

Sem Deus, você não é absolutamente nada. Sem Deus, você não é ninguém. Sem Deus, sem Jesus, você não tem vida. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Seja inteiramente de Jesus. Busque a Deus como prioridade da sua vida. Depois disso, poderá conquistar o mundo.

Fazendo uma leitura espiritual da minha história, vejo que Deus só estava querendo que eu vivesse verdadeiramente essas duas passagens: Deuteronômio 6,5, amar a Deus sobre todas as coisas, e Mateus 6,33, buscar em primeiro lugar as coisas de Deus. 

Quero encerrar com uma belíssima frase de Santo Afonso Maria de Ligório: “Meu Deus, nada quero senão o que Vós quiserdes”.

THIAGO ZANETTI

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